Colin Firth e Julianne Moore em cena de "Direito de Amar"

A GENTE JÁ VIU O FILME DE TOM FORD
 

Por Danúbio Fernando

No final de 2008, quando foi anunciada a produção do filme Direito de Amar (A Single Man, no original) produzido, bancado e dirigido pelo próprio Tom Ford, muitas dúvidas pairavam no ar. E um medo em especial: o de Tom dar um tom efêmero e superficial ao filme, baseado no romance homônimo do inglês Christopher Isherwood, que conta a história de um único dia na vida de um homem.

Quando foi anunciado o nome dos protagonistas, vimos que Tom caminhava na direção certa ao escalar os atores Colin Firth e Julianne Moore; sem desmerecer os coadjuvantes Matthew Goode e Nicholas Hoult, ambos com desempenhos dignos.

Passado oito meses da morte de Jim (Nicholas Hoult), companheiro de 16 anos do professor de inglês George Falconer (Colin Firth), que após acordar um terrível pesadelo, decide que aquele será seu último dia de vida. É esse o mote principal de Direito de Amar, em cartaz na sala 3 do Box Cinemas, no São Luís Shopping.

Mas é a brilhante interpretação tirada por Tom Ford de Colin Firth que revela o quão seguro o diretor se sentia em relação ao projeto. Firth nos emociona de tal maneira que seu trabalho deve entrar pra galeria dos mais marcantes, tamanha a sutileza dos gestos e sentimentos que ele nos passa, às vezes de forma tão contida, como que pede seu comportamento inglês. É especialmente dolorosa a cena em que ele recebe a notícia do acidente que vitimou seu amado companheiro, dada pelo primo de Jim, escondido da família do mesmo, que anuncia que será uma “cerimônia íntima”, ou seja: George não poderá comparecer ao velório.

O desespero dos dias sem a presença de Jim, que aparece apenas em flashbacks, é um de uma insuportável aflição para o protagonista, que na noite do suicídio, marca um jantar com sua melhor amiga, Charlotte, interpretada com o brilhantismo característico de Julianne Moore.

Uma outra surpresa do roteiro é a ironia e a acidez que permeiam quase todos os diálogos, às vezes num tom cortante, como no momento em os dois (George e Jim) dividem o mesmo sofá para uma sessão de leitura. Há outros.

Com belíssima fotografia e impecável figurino, Direito de Amar merecia mais indicações ao Oscar além da Melhor Ator, para Colin Firth. E mais: merece todos os aplausos; da primeira à última fila.

P.S.:  A Single Man só não merecia esse nome no Brasil:  "Direito de Amar".  Ridículo. O filme não merecia esse nome de novela...



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